Artesanato Indigena

A Arte e o Artesanato Indígena Brasileiro
A Cultura Indígena e o Artesanato

A Cultura Indígena e o Artesanato

A cultura indígena e seus costumes revelam a maneira como cada um deles se relaciona. Você pode notar pelo fato de não existir classe social.

Se um índio tem um direito, o outro também tem e cada um recebe o mesmo tratamento, isto é, não há acepção.

Os índios dividem a mesma terra, tanto que, quando um caça algo, ele costuma dividir com os demais de sua tribo.

No entanto, quanto aos instrumentos de caça, como flecha, arcos e outros, cada um tem o seu. Já em questão de responsabilidade doméstica, as mulheres têm o costume de cuidar da comida, plantio, colheita e das crianças.

Já os homens, realizam a tarefa mais pesada, como o trabalho de caça, guerra, pesca e de derrubar as árvores.

Além de todos esses costumes indígenas, é bom você saber também que:

  • Eles se alimentam, exclusivamente, do que retiram na natureza (peixes, frutos, etc).
  • Saem para caçar em pequenos e grandes grupos.
  • Já na fase infantil já acompanham os adultos para aprenderem a caçar.
  • Tomam banho várias vezes nos riachos, lagos, rios.
  • Cerimônias e rituais fazem parte de seus costumes indígenas, tendo danças e músicas como itens importantes, bem como pinturas pelo corpo.
  • Produzem objetos de arte como potes, vasos, colares, máscaras, adereços etc.

A História dos Indígenas

No vídeo abaixo, uma animação de pouco mais de 8 minutos muito gostosa de assistir, você pode aprender um pouco sobre os indígenas desde a época que Cabra descobriu o Brasil.

Assista:

As Danças na Cultural Indígena

As danças indígenas é uma das mais fortes expressões realizadas que você pode notar por esse povo.

Eles acreditam que esses momentos devem ser celebrados e o fazem com grande organização. Tanto que realizam essas danças para comemorar feitos conquistados na vida, atos e seus próprios costumes.

Enquanto preparam a guerra, quando fazem uma boa colheita de frutas e peixes, quando um adolescente chega à fase adulta, em muitos eventos, eles dançam.

Uma das danças e rituais mais freqüentes que comemoram se chamam kuarup (nome de uma árvore sagrada) e toré.

A dança de kuarup é feita como um memorial reverenciando a morte. Esse tipo é comum no Alto Xingu, em Mato Grosso.

Já Toré se caracteriza com certas variações, dependendo da tribo e região. Ela é uma dança e ritual que representa o maior símbolo entre os índios do Nordeste, valorizando a sua resistência e união.

A Religião na Cultura Indígena

Os índios passaram por transformações em sua religião ao longo do tempo e cada grupo indígena, praticamente, tem a sua.

No entanto, de modo geral, você perceberá que todas as tribos veneram as forças da natureza e possuem convicção profunda em espíritos dos seus antepassados.

Todos eles acreditam em uma vida após a morte. Tanto que muitos índios enterravam o corpo em vasos de cerâmica, tendo ao lado do cadáver alguns objetos pessoais.

Algo interessante que você percebe é que todo o conhecimento que possuem é transmitido pelo Pajé.

Ele é o líder espiritual da aldeia, responsável pela instrução e se caracteriza como o curandeiro. Um evento que costumar realizar é a Pajelança, ritual de cura entre eles.

A Arte na Cultura Indígena

Os índios brasileiros possuem uma arte oriunda de seu patrimônio sócio-cultural, tendo traços na raiz do Brasil desde sua colonização.

Sendo assim, ela continua forte, presente em cada objeto produzido e que remonta a antiguidade.

Você poderá identificar a arte indígena na produção de colares e brincos, sendo composta por penas de aves de sua caça e outros itens.

Eles também extraem matéria-prima das plantas, tintas e terras, para produzirem vasos e peças cerâmicas.

Os materiais que utilizam para a sua produção são, basicamente, da natureza e da selva. Eles não apenas se tornam destacáveis em sua arte, mas na utilidade que esses produtos criados passam a ter para todo o povo brasileiro e estrangeiro.

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Certamente, em algum momento de sua vida, já deve ter usado um utensílio que é marcado pela arte indígena.

É por isso que eles são bem visados nesse aspecto de sua cultura, sendo conhecidos até como arte contemporânea.

Alguns de seus materiais utilizados para fabricação são penas de aves silvestres, argila, tinta extraída da planta, palha, terra para fazer os vasos, potes, vasilhas, dentre outros.

A Natureza na Cultura Indígena

A relação da natureza com o índio é bastante harmoniosa, efetiva e espirituosa. Eles acreditam em fortes ligações deles com Deus através do natural e, por isso, valorizam a vida nesse habitat.

A natureza indígena é pautada pela preservação, sustentabilidade, respeito e equilíbrio. É possível até notar, entre eles, o valor que dão a terra como sendo a mãe sagrada.

As próprias comunidades indígenas desenvolveram a sua tecnologia de caça e pesca para que mantenham os recursos naturais em excelentes condições.

Possui o cuidado de observar a região, o clima e a terra antes mesmo de executar qualquer atividade, evitando, assim, qualquer tipo de agressão contra o seu meio ambiente.

É bem interessante notar que a cultura dos índios possui uma organização, ordem e respeito entre eles.

A valorização de suas raízes é um aspecto bem notório.

A Estrutura Social na Cultura Indígena

De modo geral, as sociedades indígenas são sociedades sem propriedade privada, de habitação coletiva, igualitárias, descentralizadas politicamente e com status social distinto segundo a divisão do trabalho.

Normalmente, os homens se encarregam da construção da aldeia, da guerra, caça e pesca, da liderança tribal e dos rituais xamânicos, enquanto as mulheres lidam do plantio e da colheita, preparam os alimentos e produzem tecidos, adornos e utensílios.

A educação das crianças é, geralmente, compartilhada por todos, contudo, nos anos iniciais, é a mulher quem cuida dos filhos.

As culturas indígenas são, via de regra, baseada na oralidade; contudo, mesmo na ausência da escrita, uma diversidade de sinais e de outras formas gráficas cumprem o papel comunicativo.

As tribos costumam manter entre si laços de parentesco e reciprocidade, em famílias monogâmicas ou poligâmicas.

Apesar disso, a liderança não possui caráter hereditário, pois é meritória na maioria das vezes.

A Cultura Material Indígena

A cultura material indígena se resume a algumas ferramentas, armas, adornos e, muitas vezes, habitações, para povos caçadores-coletores nômades, os quais praticam pesca e agricultura de subsistência e se mudam periodicamente, segundo a sazonalidade e a disponibilidade de recursos naturais.

A Cultura Indígena no Brasil

No Brasil, as tribos indígenas são caçadoras-coletoras de tradição oral e, recentemente, estão se sedentarizando em reservas indígenas.

Estima-se que esta população tenha chegado a cinco milhões de habitantes, contudo, hoje são cerca de 300 etnias, com um número muito inferior ao que já foi (421.000).

Não obstante, na cultura material desses índios, destacam-se a confecção da arte plumária e da pintura corporal, já que é raro a confecção de tecidos para vestimentas.

São produtores de mandioca, da qual produzem o beiju, e do milho, com o qual fazem pamonha. Constroem habitações de madeira e palha chamadas “Ocas”, onde podem viver uma ou mais famílias.

O líder guerreiro é o cacique, enquanto o chefe espiritual é o pajé. As principais tribos indígenas atualmente no Brasil são: Guarani, Ticuna, Caingangue, Macuxi, Terna, Guajajaras, Ianomâmi, Xavante, Pataxó e Potiguara.

A Pintura na Cultura Indígena

Os índios pintam seu corpo, sua cerâmica e seus tecidos com um estilo que podemos chamar “abstrato”.

Observam a natureza, mas não a desenham, e ao contrário do que se pensa, não devemos chamá-la de primitiva.

Parte do elemento natural para torná-la geométrica. Usam diversos tipos de cocares, braceletes, cintos e brincos.

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Geralmente, não matam as aves para comer, usam apenas suas penas coloridas, que guardam enroladas em esteiras para conservar melhor, ou em caixas bem fechadas com cera e algodão.

A Arte Plumária é exuberante e praticamente restrita aos homens. Nas tribos, onde as mulheres usam penas, são discretas, colocadas nos tornozelos e pulsos, geralmente em cerimônias especiais.

Os Tecidos na Cultura Indígena

Alguns índios, como os Vaurá, plantam algodão e fazem vários enfeites, como os usados em seus pentes.

Usam uma tinta preta extraída do suco de jenipapo. As vestimentas usadas pelos índios estão relacionadas às necessidades climáticas, à observação da natureza e aos seus ritos e festas.

Esta é a razão de usarem quase nada para se cobrirem, uma vez que vivemos em país tropical. A sua vestimenta não está associada à aspectos morais.

Algumas tribos, como a dos índios tucuna (praticamente extintos) na região do Acre, recebiam correntes frias dos Andes e usavam o “cushmã” uma especie de bata (as índias eram ótimas tecelãs).

Em algumas tribos, como a dos VAI-VAI (transamazônica), as mulheres tecem e usam uma tanga de miçangas.

As Canoas na Cultura Indígena

O indígena usa o leito dos rios ou o mar para transportar com rapidez, navegando em canoas ou em jangadas.

As canoas maiores são construídas de troncos de árvores rijas e chamam-se igaras, igaratés ou igaraçus.

As canoas ligeiras – ubás – eram feitas de grossas cascas vegetais, e movidas a remo de palheta redonda ou oval, ou ainda a vela.

As jangadas, pequenas e velozes, constituíam-se de vários paus amarrados uns aos outros por fibras vegetais.

Com a madeira talhada, fazem remos, bancos de madeira e máscaras de madeira pintada com dentes de piranha.

A Cestaria na Cultura Indígena

As sociedades indígenas no Brasil são detentoras das mais variadas técnicas de confecção de trançados, utilizando-se delas para a confecção de cestos, que estão entre os objetos mais usados, pois estão associados a vários fins.

A cestaria produzida e utilizada por uma determinada sociedade indígena está associada à sua cultura, principal característica humana.

A cestaria diz respeito ao conhecimento tecnológico, à adaptação ecológica e à cosmologia, forma de concepção do mundo daquelas sociedades.

O conjunto de objetos incorporados à vivência de uma determinada sociedade indígena expressa concretamente significados e concepções daquela sociedade, bem como a representa e a identifica.

Enquanto arte, em cada peça produzida existe também uma preocupação estética, identificando o artesão que a produziu e aquela sociedade da qual ela é cultura material.

Para uso e conforto doméstico, podem-se citar os cestos-coadores, que se destinam a filtrar líquidos; os cestos-tamises, que se destinam a peneirar a farinha e, os cestos-recipientes, que se destinam a receber um conteúdo sólido ou armazená-lo, sendo também utilizados para a caça e para a pesca, para o processamento da mandioca, para o transporte e para a guarda de objetos rituais, mágicos e lúdicos.

Os cestos cargueiros, como diz o nome, destinados ao transporte de cargas, apresentam uma alça para pendurar na testa e têm o formato paneiriforme, com base retangular e borda redonda, sendo conhecido pelo nome de aturá.

Também são muito utilizados os cestos-cargueiros de três lados, chamados de jamaxim, que dispõem de duas alças para carregar às costas, tipo mochila.

Em geral, esse cesto suporta até dez quilos de mandioca.

A Cerâmica na Cultura Indígena

No contato manual com a terra, o homem descobriu o barro como forma de expressão. A confecção de cerâmica é muito antiga e surgiu ainda no período Neolítico, espalhando-se, aos poucos, pelas diversas regiões da Terra.

Tradicionalmente, a produção da cerâmica, entre os povos indígenas que vivem no Brasil, é totalmente manual.

A argila (composto de sílica, alúmen e água) é a matéria-prima básica empregada na confecção da cerâmica.

A técnica mais usual para produzir os vasilhames é a da união sucessiva de roletes (feitos manualmente), utilizando-se instrumentos rústicos, bem variados, para auxiliar na confecção das peças, como cacos quebrados de potes antigos para ajudar a alisar os roletes, pincéis feitos com penas de aves ou com raízes para pintar a superfície, etc.

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O tratamento dado à superfície das peças varia muito de povo para povo e de acordo com o uso que será dado a cada objeto.

A superfície pode apresentar-se tosca, alisada, polida, decorada (com pinturas ou de outras maneiras) e até mesmo revestida por uma outra camada de argila especialmente preparada para este fim, a que se dá o nome de engobo.

Finalmente, a louça de barro, como é comumente conhecida, pode ser queimada ao ar livre (exposta ao oxigênio), ficando com uma coloração alaranjada ou avermelhada, ou pode ser queimada em fornos de barro, fechados, que não permitem o contato com o oxigênio, o que deixa uma coloração acinzentada ou negra.

Desta forma, são produzidos objetos utilitários (como potes, panelas, alguidares, etc.), objetos votivos ou rituais, instrumentos musicais, cachimbos, objetos de adorno e outros.

Entre as sociedades indígenas brasileiras, a cerâmica é, geralmente, confeccionada pelas mulheres.

Todas aprendem a fazê-la, mas, como em qualquer outra atividade, há aquelas com mais habilidade e/ou criatividade.

Atualmente, algumas já se utilizam de tintas e instrumentos industrializados para produzir sua cerâmica.

Nem todos os povos indígenas produzem cerâmica e, alguns, que tradicionalmente produziam, deixaram de fazê-lo após o contato com não índios e com o passar do tempo.

Entre alguns povos ceramistas, os objetos produzidos são simples. Entre outros, são muito elaborados e valorizados pelos membros da sociedade.

Curiosidades Sobre os Índios: Hábitos “Estranhos”

Os homens usavam o cabelo curto na testa e longo na nuca, nas orelhas e nas fontes. As mulheres o deixavam crescer até a cintura e o prendiam quando trabalhavam.

Homens e mulheres tatuavam o corpo, que pintavam (com jenipapo e urucum) e untavam (com óleos).

Furar o lábio inferior para colocar objetos de pedra, osso ou madeira era um símbolo de masculinidade.

Os homens usavam colares de búzios, de ossos de animais e dentes de inimigos e enfeitavam-se com penas de aves.

As mulheres usavam enfeites no pescoço, nos braços e nas orelhas. Homens e mulheres raspavam os pelos do corpo – barba, sobrancelha, pelos pubianos, etc..

A tranqüilidade relativa com que os brasis aceitavam a homossexualidade masculina e feminina escandalizou os lusitanos.

Para os europeus, era também motivo de espanto que os tupinambás assumissem tendencialmente papéis sociais segundo suas inclinações sexuais profundas.

Algumas mulheres tupinambás comportavam-se como aldeões e eram tratadas como tal. Vivam com suas esposas nas residências coletivas, participavam das discussões masculinas, iam à guerra, etc..

Os Yanomamis

Como exemplo de cultura indígena, convém ressaltar a dos Yanomami, considerados um dos grupos indígenas mais primitivos da América do Sul.

Os Yanomami têm como território tradicional a extensa área da floresta tropical no Brasil e na Venezuela.

Possuem uma população em torno de 25.000 índios. No Brasil, existem cerca de 10.000 Yanomami situados nos Estados do Amazonas e de Roraima.

Falam a língua Yanomami e mantêm ainda vivos os seus usos, costumes e tradições. Vivem em grandes casas comunais.

A maloca consiste numa moradia redonda, com topo cônico, com uma praça aberta ao centro. Várias famílias vivem sob o teto circular comum, sem paredes dividindo os espaços ocupados.

O número de moradores varia entre trinta e cem pessoas. Desde a década de 70, com a construção da estrada Perimetral Norte cortando seu território, a operação de mineradores e, hoje, a presença de milhares de garimpeiros, têm resultado na destruição da floresta e trazido muitas doenças para os Yanomami, cuja população está sob séria ameaça de desaparecimento.