Artesanato Indigena

A Arte e o Artesanato Indígena Brasileiro
Arte Indígena Brasileira e a Cerâmica

Arte Indígena Brasileira e a Cerâmica

As peças de cerâmica que se conservaram ao longo do tempo testemunham costumes de diferentes povos indígenas já desaparecidos, numa linguagem artística que nos impressiona.

A fabricação de artefatos de cerâmica não é característica de todas as tribos indígenas. Em algumas sua confecção é bastante simples, mas o que é importante ressaltar é que por mais elaborada que seja a cerâmica sua produção é sempre feita sem a ajuda da roda de oleiro.

As cerâmicas são utilizadas na fabricação de bonecas, panela, vasos e outros recipientes. A cerâmica é praticada principalmente pelas mulheres, que criam recipientes, bem como esculturas e, para as tornar mais bonitas, costumam pintá-las.

A cerâmica marajoara, cujo nome advém do local onde ela teve origem (a Ilha de Marajó) é conhecida no exterior e foi a primeira arte de cerâmica brasileira.

A máscara de cerâmica é exclusiva dos índios da etnia Mati. O domínio da cerâmica é visto em muitas tribos e, muitas vezes, são pintadas e utilizadas também para armazenar as cinzas dos mortos.

A Arte Indígena Brasileira

Considerando a grande diversidade de tribos indígenas no Brasil, pode-se dizer que, em conjunto, elas se destacam na arte da cerâmica, do trançado e de enfeites no corpo.

Mas, principalmente, os objetos decorados, os entalhes, a cestaria, a cerâmica, a ornamentação corporal, a música, a dança, servem a funções definidas, ou dizem coisas específicas, falando a verdadeira linguagem de domínio público.

Veja na imagem abaixo a Cerâmica Tupi-Guarani pré-cabralina, exposta no Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul:

Cerâmica Tupi-Guarani pré-cabralina. Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Cerâmica Tupi-Guarani pré-cabralina. Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Na imagem abaixo, a Cerâmica Suruí, direto do Memorial dos Povos Indígenas:

Cerâmica Suruí. Memorial dos Povos Indígenas.
Cerâmica Suruí. Memorial dos Povos Indígenas.

A Cerâmica nas Tribos Indígenas

A grande maioria de tribos indígenas desenvolvem a cerâmica, onde são produzidos vasos (às vezes zoomórficos) e panelas através do barro modelado.

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A cerâmica é, talvez, o utensílio-artístico indígena mais mencionado em textos e teses sobre o assunto arte indígena. Devido à beleza estética e sua vasta utilidade, a cerâmica indígena caiu no gosto dos portugueses colonizadores da época e, ainda hoje, é aclamada por apreciadores desse estilo artístico tão diferenciado.

A necessidade da construção de estruturas de cerâmica foi para o armazenamento de água e alimento, principalmente.

As peças de cerâmica são um grande exemplo dos costumes indígenas. A Ilha de Marajó, por exemplo, tem peças de cerâmicas que são divididas em dois tipos: Santarém e Marajoara.

Vasos Guarani para preparo e consumo de fermentados
Vasos Guarani para preparo e consumo de fermentados

Nas culturas indígenas que trabalham com cerâmica, a cerâmica vai além da dimensão material e se insere em um universo maior, que inclui as relações sociais, a relação com a natureza e com a sobrenatureza.

As cerâmicas destacam-se pelos desenhos e formas
As cerâmicas destacam-se pelos desenhos e formas

O resultado dessa arte é especialmente a alegria doméstica utilizando as cerâmicas para comer, beber e festejar. A produção da cerâmica envolve a tradição de um ritual que ocorre somente durante o período da seca, nos meses de junho, julho e agosto.

Fotos mostram a retirada da casca das árvores para a queima das cerâmicas
Fotos mostram a retirada da casca das árvores para a queima das cerâmicas

Apesar das mudanças, adaptações e inovações, as ceramistas indígenas atribuem à atividade cerâmica uma posição privilegiada nas suas respectivas culturas, sendo considerada, em alguns casos, como um elemento definidor de identidade própria e frente a outras etnias indígenas ou aos não índios.

A cerâmica, para esses povos, tem uma íntima relação com o ambiente, de onde provém as matérias-primas para sua confecção e muitos dos padrões para sua ornamentação.

A Cerâmica Indígena

Entre as várias qualidades artísticas do povo indígena em relação às artes, uma das quais podemos citar que eles têm habilidade de sobra é com a cerâmica indígena.

Os objetos produzidos pelos índios exerce grande fascínio sobre os ocidentais desde os primeiros contatos e tem sido difícil evitar atribuir qualidades artísticas, inclusive com a cerâmica indígena pelo seu grande apelo plástico, originalidade, seu mistério e exotismo que cerca a cultura indígena, pelas suas associações simbólicas e sociais, suas funções ritualísticas ou mágicas, elementos que são importantes também na definição ocidental de várias categorias de arte.

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No Brasil, a cerâmica indígena é feita muito tempo antes da colonização e seu aspecto está relacionado com às tradições tribais.

A cerâmica indígena Marajoara é considerada uma das mais bonitas e sofisticadas das Américas. O estudo da cerâmica indígena marajoara indica a produção de bens santuários relacionados a rituais funerários e tem uma identidade própria.

A cerâmica indígena tem sua produção dividida entre vasos de uso doméstico e vasos cerimoniais e funerários. Principalmente, os vasos cerimoniais de cerâmica indígena eram decorados, apresentando além das cores vermelho e branco, que eram mais frequentes pela facilidade em encontrar estes pigmentos na natureza, desenhos feitos com incisões e em relevo, além do uso de matérias-primas abundantes na natureza.

Em alguns povos, a tradição da cerâmica indígena sobrevive até os dias de hoje. A cerâmica indígena é usada normalmente para preparar e armazenar alimentos e a sua arte é impressionante.

Na ilha de Marajó, os Nuaruaques produzem cerâmica indígena há mais de 1500 anos, sendo considerada a que mais se desenvolveu.

A cerâmica indígena é decorada com elaborados desenhos geométricos. Hoje, a cerâmica marajoara pode ser vista no Museu Goeldi, em Belém, sendo grande referência de arte e beleza.

Além de vasos e recipientes para uso doméstico, eles modelam os licocós, pequenos bonecos que mostram as várias atividades da tribo.

Na cultura Santarém, a cerâmica apresenta representações de humanos ou animais em relevo. A cerâmica santarena refinadamente decorada com elementos em relevo perdurou até a chegada dos colonizadores portugueses.

Os 3 Tipos de Cerâmica Marajoara

As cerâmicas marajoara podiam ser de uso doméstico, cerimonial ou funeral e se diferem entre si quanto as suas características.

  • Cerâmica doméstica: como serviam apenas para guardar mantimentos, eram simples e não apresentavam a superfície decorada.
  • Cerâmica cerimonial: como estas eram para uso festivo ou homenagens fúnebres, eram bem decoradas, caracterizadas por apresentar desenhos bi ou policromático (com duas ou várias cores) com cortes na cerâmica ou em alto relevo.
  • Cerâmica funeral: também chamadas de igaçabas, essas urnas mortuárias eram decoradas com desenhos labirínticos.
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Além da cerâmica, os marajoaras produziam bancos, colheres, apitos, adornos para orelha e lábios e estatuetas humanas, que chamam a atenção por serem pouco realistas e mais estilizadas, ou seja, sem preocupação com a fidelidade à realidade.

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