Artesanato Indigena

A Arte e o Artesanato Indígena Brasileiro
Artesanato Indígena Amapaense

Artesanato Indígena Amapaense

Bahia - 300x250

Se você quer saber mais sobre o artesanato indígena amapaense, você deve conhecer os tipos de artesanato do Amapá.

Á seguir, vamos falar sobre as características, matéria-prima, processo de produção e comercialização dos produtos de artesanato do Amapá.

O artesanato indígena amapaense é feito com fibras, sementes, cipós, madeira e cerâmica regionais considerando a cultura do estado do Amapá.

O artesanato indígena amapaense pode ser encontrado no Parque do Tumucumaque e é feito pelos povos indígenas Waiãpi.

São produzidos artefatos de uso pessoal da própria cultura, como cestarias, colares e bolsas a partir de sementes da região, coloridas com tintas naturais e também artificiais, bancos, flechas, cocares, pentes, apitos para rituais, dentre outros.

No caso dos Waiãpi, não são utilizados corantes em suas sementes. O processo é totalmente manual com técnicas de trançado, entalhes e montagem de adornos pessoais.

Estes produtos têm um alto valor cultural agregado, nos quais as manifestações culturais desses povos são representadas na forma, pelos grafismos, que em sua maioria estão presentes na fauna e na flora da região.

A comercialização é feita diretamente pelas associações num prédio cedido pelo Governo Estadual.

O Artesanato Indígena Amapaense com Fibras, Sementes e Cipós

O artesanato deste segmento é bem diversificado, tendo um público produtor diferenciado. A maioria dos produtores faz parte da Associação dos Artesãos do Estado do Amapá (AART-AP).

Os produtos de fibras e sementes basicamente são adornos pessoais, como bolsas, colares, pulseiras, chapéus e brincos, e souvenires, como porta-objeto, chaveiros, etc.

O processo se configura pela coleta das matérias-primas na floresta, em alguns casos, no entorno dos próprios locais de produção.

No tratamento da semente e das fibras naturais, algumas coloridas com corantes naturais e artificiais, e no processo de feitio das peças, utiliza-se maquinário de pequeno porte, como furadeiras e lixadeiras manuais.

No acabamento, as peças geralmente são envernizadas e enceradas. As peças que mais se destacam no estado são os adornos pessoais com identidade cultural Maracá e Cunani, incorporada a uma nova linha de bijuterias desenvolvida por designer contratado pelo Sebrae em 2006.

Com os cipós, são feitas cestarias, fruteiras e móveis. O processo se inicia com a retirada do cipó de forma isolada.

Alguns artesãos coletam sua matéria-prima, mas em muitos casos, compram de fornecedores ou recebem doações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quando há uma apreensão do cipó ilegal.

Os artesãos se queixam porque ainda não há uma lei que regulamente a extração do cipó, provocando constrangimento, desconforto e angústia na classe que depende do material para produzir suas peças.

A partir da coleta, o cipó é higienizado e dividido ao meio para viabilizar a técnica do trançado, comum em todos os produtos deste segmento.

VEJA  A Origem do Artesanato Indígena

O verniz é muito utilizado no processo de acabamento das peças. Acredita-se que a adição deste componente no acabamento pode conservar mais o produto e, em alguns casos, melhorar o aspecto estético.

O compensado com espessura mais fina é utilizado para compor a base das cestarias. Há uma repetição de modelos tanto nas cestarias como nos jogos de mobiliário: sofás, cadeiras e mesas de centro, considerados no estado como peças do artesanato.

O Artesanato Indígena Amapaense Feito com Madeiras Regionais

Este segmento traz uma gama maior de produtos, sendo boa parte deles utilitários. São produzidos brinquedos, artefatos de cozinha, porta-objeto, fruteiras, entalhes e esculturas representando valores da cultura local.

As madeiras mais utilizadas na produção do artesanato de madeira são: cedro, macacaúba, marupá, sucupira, angelim, dentre outras.

Na produção de brinquedos, como miniaturas de automóveis e barcos, são utilizadas também madeiras reaproveitadas de embalagens de frutas, por exemplo.

O uso de equipamentos de médio porte e suas técnicas de acabamento possibilitam uma maior produção em relação aos outros segmentos.

Os artesãos deste segmento começam aos poucos a deixar a fixação por pregos e voltam-se para o encaixe, que facilita a montagem e desmontagem das peças, além de melhorar visivelmente a qualidade estética do conjunto.

Isso se deve às ações de design que o Sebrae/AP vem implementando desde 2002.

O Artesanato Indígena Amapaense Cerâmico

Para melhor entender o artesanato cerâmico, vamos dividi-lo por território. Desta forma, tentamos ser justos com as identidades de cada grupo.

São eles: Artesanato cerâmico de Macapá, Mazagão Velho e Oiapoque

As únicas coisas em comum no artesanato destes territórios são: a maioria dos artesãos veio do Pará e trouxe no seu repertório todo o conhecimento de produção de cerâmica Marajoara, repetindo até hoje vasos decorados com ricos grafismos desta civilização e suas técnicas.

Mas as realidades são bem diferentes. No Oiapoque, encontra-se uma produção familiar bastante ativa e homogênea, com uma diversidade de produtos maior e a experimentação de cores é mais intensa.

Devido à proximidade com a Guiana Francesa e à distância da capital do estado, o escoamento da produção é todo feito no país vizinho.

Apesar dos esforços do Governo Estadual e do Sebrae para apoiar a comercialização dos produtos na capital e no mercado nacional, as dificuldades de acesso e o alto custo com transporte, desestimulam o grupo e inviabilizam os esforços institucionais.

Neste segmento, destaca-se a cerâmica mineralizada. Técnica difundida pela Artista Plástica Nina Barreto na década de 30, a cerâmica recebeu o pó do manganês como artifício de decoração, sendo o mais genuíno produto do estado.

Este produto é produzido basicamente por ceramistas da capital. A cor característica é o preto, tendo o brilho do minério sua mais bela feição estética.

VEJA  A Arte e o Artesanato Indígena Brasileiro

Artesanato Indígena Amapaense Cerâmico do Maruanum

Região povoada por afrodescendentes, o artesanato cerâmico do Maruanum, situada a aproximadamente 42 km da capital, é uma miscelânea de técnicas e misticismo.

Para as louceiras desta comunidade, a produção das peças é um ato considerado “sagrado”, incrementado por rituais e superstições.

Há uma determinação de regras, não oficiais, mas um pacto construído a partir de suas relações culturais, que define os rituais de produção desde a coleta da argila até a queima e acabamento das louças.

A técnica é bastante rudimentar, confundindo-se com as técnicas indígenas de produção cerâmica, mas repleta de crendices e cantorias, que fazem deste artesanato um dos mais expressivos e representativos do Amapá.

Não há torno, nem maromba, apenas as mãos que vão moldando as peças, preparando a fogueira para a queima e, por fim, o burilamento, na etapa de acabamento da peça.

Cada louça tem cor diferenciada, meio acinzentadas, meio alaranjadas, em tons pastéis suavemente naturais.

A Casa do Artesão, em Macapá

A Casa do Artesão, em Macapá, é o maior centro do artesanato amapaense e seu principal objetivo é divulgar a atividade artesanal no Estado.

Os artesãos amapaenses têm no local a exposição e comercialização de seus produtos. Está localizada no Complexo Beira-Rio, próximo à Fortaleza de São José de Macapá (Rua Azarias Neto, s/n – Centro).

Foi inaugurada pelo Governo do Estado em 30/12/2005. Lá podemos encontrar cerca de oito mil peças em exposição (dos artesãos cadastrados).

A proposta é expor peças produzidas por todos os municípios, mas não se sabe se isto foi alcançado.

Lá encontramos artesanato de Mazagão, Oiapoque, Calçoene, Macapá, Santana e de aldeias do Tumucumaque.

Os produtos são confeccionados utilizando matéria prima como sementes, madeira, cerâmica, plumagem, vime, argila, minérios, fibras, entre outros elementos (retirados da natureza, sem impactar o meio ambiente).

É um “Shopping do Artesanato” onde o artesanato indígena está presente representado pelos trabalhos dos povos Waiãpi, Karipuna, Palikur, Galibi, Apari, Waina, Tirió e Kaxuiana.

Na foto abaixo, há a representação de urnas funerárias indígenas encontradas no Amapá. Uma representação de uma arte muito bonita – alto relevo em madeira.

Os temas explorados são: os tipos humanos amazônidas, a religiosidade, a natureza e a mitologia como, por exemplo, o boto.

A arte voltada para as coisas amazônidas nos permite descobrir a beleza e importância de se manter tudo isso.

Artesanato do Norte do Brasil: Exemplos do Artesanato do Amapá

Bolsinha de sementes de mara-mara. Aldeia Bona, Tribo Apalai

Das fibras vegetais trançadas nascem objetos utilitários e cerimoniais: bolsas e chocalhos – ao bege típico do material, une-se o preto compondo geometrias e ziguezagues surpreendentes, como exemplificam a bolsa retangular e o chocalho cilíndrico.

Sacola-cesta de tala de arumã. Aldeia Bona, Tribo Apalai

Sementinhas colhidas e tingidas com pigmentos naturais e plumas de colorido vibrante servem de matéria-prima para a rica joalheria tribal.

VEJA  Artesanato Indígena - Resumo
Pequeno jacaré e desenho de pássaro

Estão aí os colares e pendentes – note o formato do pequeno jacaré e o desenho do pássaro definidos pelo trançado das contas naturais em tons de bege, preto, vermelho e roxo – e a bolsa com pequenos pingentes na aba.

Chocalho cilíndrico

É o artesanato indígena revelando a beleza e a modernidade em suas propostas.

Colar de sementes de xiri-xiri, bambu, panakoko e lágrima de Nossa Senhora.
Aldeia Kumarumã, Tribo Palikur

A Etnia Wajãpi, do Amapá

Os Wajãpi do Amapá constituem um grupo remanescente de um povo que já foi muito mais numeroso, subdividido em vários grupos independentes e que a população total foi estimada em cerca de seis mil pessoas no começo do século XIX.

A etnia tem origem em um complexo cultural maior, de tradição e língua tupi-guarani, hoje representado por diversos povos, distribuídos entre vários estados do Brasil e países adjacentes.

Até o século XVII, os Wajãpi viviam ao sul do rio Amazonas, numa região próxima da área até hoje ocupada pelos Asurini, Araweté e outros, todos falantes de variantes dessa mesma família linguística.

A Terra onde vivem os Wajãpi, no Amapá, foi demarcada e homologada em 1996, e é uma área muito preservada, onde vivem cerca de 1,1 mil indígenas, em 48 aldeias.

A Arte nas Tribos

A Arte Kusiwa está vinculada à organização social, com uso adequado da terra indígena e o conhecimento tradicional.

Os indígenas usam composições de padrões kusiwa nas costas, outros na face, outros nos braços.

A pintura é cotidiana. Os grafismos também podem ter como suporte cestos, cuias, tecelagem, bordunas e objetos de madeira.

Os padrões Kusiwa representam animais, partes do corpo ou objetos e estão carregados de significados e simbolismo.

Constituem um sistema de comunicação e uma linguagem gráfica que remete à cosmologia e visão de mundo dos Wajãpi.

Para a elaboração das tintas, são utilizadas sementes de urucum, gordura de macaco, suco de jenipapo e resinas perfumadas.

Através dos séculos, os Wajãpi desenvolveram uma linguagem única, formada por componentes gráficos e orais, que reflete sua visão de mundo e constitui um conhecimento específico sobre a vida em comunidade.

A Arte Kusiwa faz também referência à criação da humanidade e a diversos mitos Wajãpi. Os múltiplos significados nos níveis sociológico, cultural, estético, religioso e metafísico indicam que a importância da Arte Kusiwa extrapola o seu lugar de arte gráfica e, efetivamente, engloba o vasto e complexo sistema que envolve sua maneira específica de compreender, perceber e interagir com o universo.

A Arte Kusiwa

A Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi foi inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, em 20 de dezembro de 2002, como Patrimônio Cultural do Brasil.

No ano seguinte, recebeu da Unesco o título de Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

Compartilhe Esta Página: