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Artesanato Indígena – Arco e Flecha

A produção de armas indígenas varia muito, tanto em tamanhos e formatos quanto no material empregado.

Cada comunidade indígena aprendeu a trabalhar de acordo com os recursos naturais existentes em sua região e de acordo com o tipo de atividade.

Existem arcos e flechas mais apropriados para a caça, para a pesca e para a defesa. Inclusive na caça, a variedade de arcos e flechas empregadas é enorme, cada tipo de animal poderá ter um equipamento diferente.

Você Pode Fazer o seu Próprio Arco e Flecha

Palmas (TO) – Índios Pataxó fazem treinamento antes do início dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Algumas madeiras e fibras naturais podem ser utilizadas na construção de seu próprio arco e flecha, mas sem a pretensão de reproduzir fielmente qualquer peça à altura dos povos que ainda usam estes recursos para a sua sobrevivência.

Para fazer o seu próprio arco e flecha, você precisa de madeiras naturais que podem lhe fornecer a matéria-prima correta, de preferência com plantas utilizadas pelos índios brasileiros.

Como matéria prima para o arco, o ipê roxo é uma excelente opção. Não se sabe se todos os ipês se prestam para esta tarefa, mas tudo indica que sim, pois, inclusive, algumas espécies são chamadas, também, de pau d’arco, um nome bem sugestivo, não é mesmo?

Há também algumas referências sobre o uso do ipê amarelo, mas são muitas variedades e é melhor dar preferência ao ipê-roxo, pois é o mais citado.

Outras madeiras que podem oferecer bons arcos são o tucum, a aroeira, o pau-ferro, o guatambu, o limoeiro, o genipapeiro, o caule da pupunha e até mesmo o caule de outras palmeiras.

Estas são as referências de árvores do material utilizado pelos índios brasileiros e também para arcos artesanais de madeira.

Árvores flexíveis, como goiabeira, também servem para a produção de arcos artesanais, mas não há referências de que tal madeira é ou foi utilizada na construção de arcos indígenas.

Realmente, é possível fazer arcos a partir de algumas plantas chamadas mirtáceas, como goiabeiras, jabuticabeiras, entre outras, mas estas servem apenas para arcos de curta duração, sendo que o ipê-roxo e tucum são as melhores opções.

Como corda natural, você pode usar fibra, como a fibra da palmeira tucum. As embaúbas, plantas de variadas utilidades, podem fornecer algumas das melhores fibras para os arcos indígenas, mas você deve saber extraí-las e prepará-las adequadamente.

As fibras das embaúbas são as opções de muitas tribos do Xingu para arcos de pesca. As fibras de tucum apodrecem rapidamente em contato com umidade, então são mais usadas para outros tipos de finalidade.

Fibras de taquara também podem ser utilizadas na produção de cordas para arcos indígenas, assim como as fibras de imbé, que são usadas para a produção de fibras naturais para amarrar penas e pontas das flechas.

Quanto à madeira, deixe-a secar por um longo tempo. Se tiver pressa, você pode construir seu arco de madeira ainda verde que irá funcionar.

Ao escolher uma madeira para o arco, evite os nós da madeira. Se não conseguir um galho sem nenhum nó, pelo menos escolha um galho em que não haja nós na parte central, onde será feita a empunhadura.

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Nós da madeira e arcos não combinam, além de deixarem o arco frágil, existe o problema de influenciar negativamente nas propriedades acústicas da madeira.

Os arcos modernos são geralmente desbastados nas extremidades para concentrar a tensão nas partes mais fortes, mas os arcos indígenas geralmente usam a madeira inteira, sem desbastes, não que isto seja uma regra, dada a variedade de etnias indígenas em nosso país.

As flechas podem ser feitas de bambu ou de outras madeiras retas e geralmente leves. As penas são importantes para estabilizar a jornada da flecha, que segue girando.

Para flechas parecidas com as indígenas brasileiras, você pode utilizar duas penas para dar estabilidade.

Você pode apontar a flecha para fazer a ponta do modo mais simples, ou ainda pode caprichar mais, elaborando uma ponta de pedra, madeira ou até mesmo metal.

Algumas tribos utilizam-se de castanhas ou semente arredondadas para fazer pontas que não estraguem a carne das aves.

Estas são algumas dicas para a construção de um arco usando matéria-prima similar aquelas utilizadas pelos povos primitivos brasileiros.

Nos arcos comerciais, além da madeira, são utilizadas camadas de fibra de vidro ou de carbono, o que dá uma dificuldade a mais na construção para as pessoas comuns.

Se for construir seu próprio arco e suas flechas, muito cuidado. Estes são instrumentos letais utilizados há séculos em guerras e também em caçadas.

Para diversão e prática, até mesmo flechas sem pontas podem ser utilizadas.

Flecha Feita Artesanalmente

O Arco e Flecha Indígena

Os povos indígenas usavam muito esse instrumento como arma de guerra. Na maioria das tribos indígenas brasileiras, o arco é feito do caule de uma palmeira chamada tucum, de cor escura, muito encontrada próxima aos rios.

O povo Gavião, do Pará, o confecciona com a madeira de cor vermelha, chamada aruerinha. Os povos do Xingu utilizam o pau-ferro, o aratazeiro, o pau d’arco e o ipê amarelo.

Os índios do alto Amazonas usam muito a pupunha, e as tribos da língua tupi são as únicas que, às vezes, utilizam a madeira das palmeiras.

O padrão do tamanho do arco obedece à necessidade de seu uso, de acordo com a cultura de cada povo.

A flecha é feita de uma espécie de bambu, chamada taquaral ou caninha. A ponta é feita de acordo com a tecnologia de cada etnia.

Há aquelas flechas mais longas e as pontas tipo serra, muito usada para a pesca. Outras pontas são feitas com a própria madeira da flecha.

Alguns povos colocam ossos e mesmo dentes de animais. Há outras flechas praticamente sem ponta, mas com uma espécie de esfera (coquinhos), usada na caça aos pássaros.

O objetivo é abater a ave e evitar ferimentos na pele ou danos às plumas e penas. Há também um outro armamento semelhante ao arco, em que se arremessa pedra, chamada bodoque.

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Onde Comprar e Quanto Custa Arco e Flecha Indígena?

Arco e flecha indígena podem ser comprados em feiras de artesanato indígena, galerias de artesanato indígena, e até online, em sites de compra e venda, como o Mercado Livre, e em lojas online de artesanato.

Um arco e flecha indígena real custa em torno de R$ 20 a R$ 200, o preço muda conforme os materiais utilizados na produção do arco e flecha, o que impacta diretamente na qualidade e beleza do produto.

A Diversidade no uso do Arco e Flecha Pelos Indígenas

A necessidade do uso do arco e flecha no dia-a-dia levou os povos indígenas à criação de uma variedade imensa de tipos de arcos, flechas e pontas de lança.

Antropólogos estudiosos acreditam que o arco e flecha é o instrumento mais utilizado entre os povos indígenas.

Os numerosos detalhes técnicos de fabricação, utilização e ornamentação tornam complexo o estudo antropológico dos tipos de arco e flecha em cada tribo.

Numa mesma tribo, etnólogas como Berta G. Ribeiro e Wilma Chiara se depararam com diferentes tipos, adequados para determinadas situações.

Os povos xinguanos, no Estado de Mato Grosso, são exímios praticantes da pesca com arco e flecha.

Na caça de animais de pequeno, médio e grande porte, todos os povos indígenas utilizam o arco e flecha, apesar de hoje, alguns já estarem substituindo-o pela arma de fogo.

E também na preparação de seus jovens, os guerreiros Ashaninka, que habitam o sudoeste do Estado do Acre, fronteira com o Peru.

Os Gavião Kyikatêjê e Parakatege, da Reserva Mãe Maria, no sul do Estado do Pará, praticam um exercício chamado de apãnare, que é o lançamento de flecha em um “alvo”, que é um guerreiro, que, com sua destreza, concentração e habilidade, pára a flecha com as mãos.

No passado, os Xavante também tiveram um exercício semelhante, mas hoje quase não é mais praticado.

Consiste no arremesso da flecha no sentido horizontal, aparada com a mão, antes de cair ao chão.

Os Guaikuru, valentes guerreiros, que desapareceram no começo do século passado, foram os únicos indígenas exímios atiradores de arco e flecha, em movimento, montados à cavalo.

Outro exercício revelador da habilidade com o arco e flecha, praticado pelos Gavião Kyikatêjê e Parakatege é chamado de kaipy e utiliza a folha de palmeira apoiada sobre duas madeiras fixas ao solo.

O guerreiro se distancia em aproximadamente 10 a 20 metros, arremessando a flecha em direção à folha da palmeira.

A ponta da flecha acerta exatamente o caule e, resvala, ganhando velocidade em busca do seu alvo.

Entre esse povo, existe a prática de arremesso à distância, praticado também pelas mulheres. Entre muitas tribos, se praticam o exercício de precisão, utilizando frutos nativos como a manga, laranja, caule da bananeira e outros.

A Prática do Arco e Flecha Como Esporte

A primeira atividade no âmbito esportivo intertribal que se tem notícia ocorreu em 1997, no I Jogos dos Povos Indígenas, realizado em Goiânia.

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A iniciativa, idealizada pelo índio Carlos Terena, resultou do patrocínio do Ministério dos Esportes e da parceria com o governo do Estado de Goiás do Comitê Intertribal e o apoio da FUNAI.

Nessa primeira edição dos Jogos Indígenas, foram usadas as flechas cedidas pela organização dos jogos, não havendo um grande aproveitamento na precisão dos lançamentos.

Nos outros jogos que se seguiram nas cidades de Guaíra-PR (1999) e Marabá-PR (2000), cada competidor trouxe os seus próprios arcos e flechas.

Segundo Terena, “ao trazer seu próprio equipamento, o atleta aprimorou sua demonstração e possibilitou o uso mais apurado, pois sendo um objeto de uso pessoal, permitiu o exercício da técnica de cada guerreiro ao retesar a corda, na calibragem da flecha e na habilidade de seu lançamento”.

Terena explicou que a variedade de arcos e flechas ganha um único objetivo, que é o alvo. Para associá-lo às culturas, os índios se reuniram e resolveram que o alvo seria o desenho de uma anta, muito caçada, tanto no centro-oeste quanto no sul (I Jogos, em Goiânia e II, em Guairá, no Paraná).

Em Marabá, onde os Jogos foram realizados na beira do rio Tocantins, praia do Tucunaré, os indígenas optaram pelo desenho de um peixe, o tucunaré, abundante nos rios da região.

Com a repercussão dos Jogos Indígenas, a Federação Matogrossense de Tiro com Arco criou, em junho de 2001, o I Campeonato Estadual de Arco Nativo, para o qual convidaram os índios Gavião, de Rondônia, e os Xavante, do Mato Grosso.

Na competição, os atletas participantes, inclusive os não-índios, tiveram de utilizar o arco nativo, confeccionado pelos próprios índios.

No período de 01 a 05 de novembro de 1999, foi realizado o II Campeonato Brasileiro de Arco Nativo, na Chapada dos Guimarães, MT, que contou com a presença de 15 povos indígenas.

Com essas experiências, abriu-se um canal de conversação junto ao presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco.

O objetivo futuro é aproveitar essas habilidades indígenas na preparação dos atletas indígenas com as técnicas apuradas, visando a participação em Jogos Olímpicos Nacionais e internacionais.

Arco e Flecha Como Modalidade nos Jogos

O Arco e Flecha é uma prova individual masculina. Cada delegação indígena deverá inscrever no máximo 02 (dois) atletas, sendo essa modalidade uma competição individual.

Cada atleta terá o direito a 03 (três) tiros, e deverá trazer o seu próprio equipamento (arcos e flechas).

Caso haja algum problema no equipamento, o atleta poderá substituí-lo ou solicitar tempo para reparo.

O alvo será o desenho de um peixe e a distância de aproximadamente 30 metros. A contagem de pontos reunirá a soma de acertos em cada área do alvo, com pontuação variadas e previamente definidas pela Comissão Técnica.

Haverá uma primeira etapa eliminatória, que classificará para a segunda. Nessa fase, inicia-se uma nova contagem de pontos, que irá definir o primeiro, segundo e terceiro colocados.

Somente 12 atletas, com as melhores pontuações, disputam a final. Outros detalhes serão definidos no Congresso Técnico da modalidade.

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