Artesanato Indigena

A Arte e o Artesanato Indígena Brasileiro
Artesanato Indígena de Cerâmica

Artesanato Indígena de Cerâmica

Os primeiros artesãos surgiram no período neolítico (6.000 a.c) quando o homem aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cerâmica e a tecer fibras animais e vegetais.

O artesão é aquele que, através da sua criatividade e habilidade, produz peças de barro, palha, tecido, couro, madeira, papel ou fibras naturais, matérias brutas ou recicladas, visando produzir peças utilitárias ou artísticas, com ou sem uma finalidade comercial.

São artesãos e artesãs: talhadores, gravadores, escultores, pintores, ceramistas, rendeiras, bordadeiras, tecelãs, aqueles que criam instrumentos musicais, bijuterias e peças de madeira para uso diário, cestas, gamelas, colchas de retalhos e brinquedos, entre outras coisas.

Cerâmica e Bonecos de Barro

A cerâmica é uma das formas de arte popular e de artesanato mais desenvolvidas no Brasil. Dividida entre cerâmica utilitária e figurativa, essa arte feita pelos índios misturou-se depois à tradição barrista europeia, e aos padrões africanos, e desenvolveu-se em regiões propícias à extração de sua matéria-prima – o barro.

Nas feiras e mercados do Nordeste, podem-se ver os bonecos de barro que reconstituem figuras típicas da região: cangaceiros, retirantes, vendedores, músicos e rendeiras.

Os mais famosos são os do pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963), que deixou dezenas de descendentes e discípulos.

A cerâmica figurativa destaca-se também nos estados do Pará, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina.

Nos demais estados, a cerâmica é mais do tipo utilitária (potes, panelas, vasos etc). A grande maioria de tribos desenvolve a cerâmica e a cestaria.

Os cestos são, em sua maioria, feitos a partir de folhas de palmeiras e usados para guardar alimentos.

Já na cerâmica, são produzidos vasos e panelas de barro modelado.

A Cerâmica

A cerâmica destacou-se principalmente pela sua utilidade, buscando a sua forma nas cores e na decoração exterior, e o seu ponto alto ocorreu na ilha de Marajó.

As peças de cerâmica que se conservaram testemunham muitos costumes dos diferentes povos indígenas e uma linguagem artística que ainda nos impressiona.

São assim, por exemplo, as urnas funerárias lavradas e pintadas de Marajó, a cerâmica decorada com desenhos impressos por incisão dos Kadiwéu, as panelas zoomórficas dos Waurá e as bonecas de cerâmica dos Karajá.

Muitos conceitos e mensagens podem ser decodificados por quem está dentro da tradição. A cerâmica, a cestaria, os instrumentos musicais, os pequenos adornos, a arquitetura, os bancos zoomorfos esculpidos em madeira, toda a cultura material dos povos nativos está carregada de princípios e objetivos, de valores estéticos e sociais.

O talento dos artistas está a serviço da manutenção da tradição do povo, da continuidade de sua identidade.

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O Artesanato Indígena

Os índios brasileiros tinham como principais produtos de seu artesanato a arte plumária, como a elaboração de tangas, cocares, e outros artigos com plumas e penas de aves; a cerâmica, cestaria e a pintura, com o uso de pigmentos encontrados na natureza.

O artesanato pode se manifestar em formas variadas, como instrumentos musicais, tecidos em fibras animais e vegetais, trabalhos em chifres e couro, funilaria popular, cerâmicas, trabalhos em madeiras, bijuterias, crochê, tricô, massa de açúcar, esculturas, pinturas, e muitas outras expressões artísticas.

A influência do artesanato indígena, em especial na cerâmica e na cestaria, pode ser conferida em muitas criações atuais, como a cerâmica Marajoara, por exemplo, que tem fortes influências do estilo indígena.

Conforme a grande variedade de tribos indígenas no país, o artesanato indígena se destaca pela sua arte na elaboração de enfeites corporais, nos trançados usados para a caça e pesca, e é claro, suas belas e coloridas cerâmicas.

A Cerâmica nas Artes Indígenas Brasileiras

No Brasil, há uma grande diversidade de tribos indígenas e, no geral, elas se destacam na arte da cerâmica, trançado e enfeites corporais.

Os objetos decorados e entalhados, suas cerâmicas e cestarias, os ornamentos corporais, as pinturas, as músicas, as danças, os instrumentos musicais, todos eles têm funções específicas bem definidas, como se fossem uma linguagem não-verbal, de domínio público.

As peças de cerâmica são um grande exemplo dos costumes indígenas. A Ilha de Marajó, por exemplo, tem peças de cerâmicas que são divididas em dois tipos: Santarém e Marajoara.

As peças de Santarém apresentam tamanho pequeno, porém bem trabalhado. Já as peças Marajoaras apresentam tamanho grande e normalmente contém pinturas de deuses ou animais, sempre contendo cores avermelhadas.

Cerâmica Tupi-Guarani

Os Tupis habitavam a costa brasileira no século XVI. Estas peças de cerâmica são da era pré-cabralina.

Características da Cerâmica Indígena Brasileira

A execução de artefatos em argila é um aspecto presente na maioria das comunidades indígenas brasileiras, sendo uma atividade essencialmente feminina, com exceção para os grupos Yanomâmi, Waharibo e os Yekuana.

Entre alguns outros grupos, a produção é realizada com a participação masculina em algumas etapas.

Nos povos Waurá, os homens participam da coleta e do transporte da argila, esse é um aspecto novo devido ao aumento da produção.

Entre os Júruna, tanto homem quanto mulher conhecem a tecnologia, mas os homens só participam do processo de modelagem.

Já entre os Tapirapé, os homens produzem cachimbos enquanto que as mulheres fabricam panelas.

VEJA  A Arte Indígena e o Artesanato

De maneira geral, o processo de manufatura da cerâmica entre os povos indígenas obedece, em linhas gerais, a uma mesma seqüência operacional, com pequenas variações de caráter local que são, na maior parte das vezes, de caráter simbólico.

A técnica utilizada pela maioria dos grupos indígenas é a do acordelado: superposição de rolos de argila a partir de uma base, em forma de anéis ou espirais.

Como exceção, registra-se o grupo Tapirapé, que modelam diretamente suas peças em uma massa de barro – nos demais grupos essa técnica é destinada somente para peças pequenas.

O processo operacional tem início com a obtenção da argila, retirada das margens ou leitos de rios ou córregos.

Para coleta, normalmente aproveita-se o período das secas, quando as águas dos rios encontram-se baixas, sendo muito comum a participação dos homens nesta tarefa, em função do grande esforço necessário.

A qualidade do material pode ser testada através do tato, rolando o barro entre os dedos, ou através do paladar, como entre os Turiyó, que o provam.

A argila é previamente examinada e normalmente sofre uma preparação, como a retirada de impurezas (fragmentos vegetais, minerais, seixos).

Livre de detritos, a argila é amassada, sendo simultaneamente testada sua consistência – é muito comum deixar a argila repousar por vários dias antes de sua utilização.

Nas imagens abaixo, você pode ver:

1 – Transporte do barro;

2 – A casca do caraipé (Licania scabra), armada em pirâmide, é queimada lentamente; e

3 – Socando a cinza do caraipé.

Para redução da plasticidade, os índios empregam substâncias orgânicas (fibras vegetais como palha, raízes; ossos moídos, estrume), inorgânicas (areia, terra, mica, pedras calcárias) bio-minerais (cascas de árvores ricas em sílica, denominadas caraipé), ou mesmo materiais já transformados pelo homem, como cacos de cerâmica triturados.

Nas imagens abaixo, você pode ver:

4 – Peneiramento da cinza do caraipé. Somente o pó mais fino é aproveitado como tempero do barro;

5 – Argila e antiplástico em proporções quase iguais são amassados juntos; e

6 – Preparação dos roletes em cima de uma tábua.

Os primeiros gestos de fabricação das peças consistem na confecção de roletes, comprimindo-se a barra entre as mãos, sobre a coxa, ou de encontro a uma tábua.

Inicialmente, é feito o fundo do vaso, a partir de uma quantidade de barro amassado e batido entre as mãos, ou sobre uma superfície plana e lisa, até formar uma base achatada e circular.

A partir desse fundo, vão sendo gradativamente colocados os roletes, justaposto até formar as paredes.

É mais freqüente a disposição dos rolos em anéis sucessivos do que na forma espiralada. O alisamento dos roletes é feito durante o processo de justaposição, interno e externo, em sentido vertical e horizontal; assim são apagados os vestígios de roletes e a pressão empregada faz com que as paredes se tornem mais finas.

VEJA  A Importância do Artesanato Indígena

Nas imagens abaixo, você pode ver:

7 – Início da modelagem de um pote;

8 – Alisamento da peça feito com um fragmento côncavo de cuia; e

9 – Retoque da borda do pote com os dedos.

Alcançando a forma desejada, geralmente pautada pela utilidade, a peça é levada a secar em local fresco e arejado, à sombra, de um dia para outro, ou mais raramente durante vários dias.

Uma exposição direta ao sol pode trazer danos à peça, na medida em que a ação do calor não se exerce uniformemente, podendo ocasionar rachaduras.

Com o barro parcialmente seco e com o auxilio de instrumentos como: conchas, pedaços de cabaça, colher de metal, etc., a raspagem é feita na peça a fim de regularizar a superfície e eliminar asperezas.

Em seguida é feito o polimento, geralmente com seixos molhados, cacos, palha de milho, sementes, etc., deixando marcas bem visíveis, em alguns casos brilhosa.

A esta altura, procede-se a decoração plástica da peça. Sobre a argila são feitas incisões, mediante o uso de objetos cortantes, unhas, etc., formando motivos geométricos; ainda são aplicados apêndices como alças, asas, figuras zoomorfas.

Uma segunda secagem torna-se necessária para enrijecer a cerâmica, antes de se processar a queima.

É freqüente o uso de escoras para evitar deformações. Para queima, arma-se uma fogueira, cujo tamanho varia em função da peça a ser queimada, em geral usa-se lenha e casca de árvores em arranjo cônico; isto garante uma queima uniforme.

As peças grandes são queimadas individualmente e as pequenas em grupo, emborcadas no interior da fogueira.

Em alguns casos, são apoiadas em trempes (cones cerâmicos, pedras) onde são totalmente envolvidas pelo fogo durante uma ou duas horas.

Eventualmente, os vasos são revirados de modo a queimar por igual e, dependendo do tempo de exposição ao fogo, podem ficar esbranquiçadas, avermelhadas ou em brasa.

Muitas vezes, chegam a ficar incandescentes e estas são as mais bem queimadas.

Artesanato Indígena de Cerâmica Para Comprar

Veja abaixo alguns artesanatos indígenas de cerâmica que você pode comprar através deste site:

CERÂMICA CHACANA & PACHAMAMA

CERÂMICA CHACANA SOL

CERÂMICA MATIS

CERÂMICA PACHAMAMA

CERÂMICA SERPENTE

CERÂMICA TOTEM ANDINO

CERÂMICA KAXINAWÁ NATURAL

CERÂMICA KAXINAWÁ PEQUENA

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