Artesanato Indígena do Rio Grande do Sul

Neste artigo, vamos tratar da valorização do artesanato indígena do Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul, há uma comunidade indígena chamada Kaingang Foxá, mais precisamente na cidade de Lajeado.

Falaremos também da comercialização do artesanato Kaingang e do artesanato Foxá.

Entre os costumes mantidos nas Terras Indígenas Kaingang está prática do
artesanato.

Por isso, é preciso estimular a inclusão e valorização do artesanato especifico da comunidade indígena Kaingang Foxá no território local.

O sustento da comunidade é dividido pela venda do artesanato, doações do poder público, pequenas plantações, principalmente de chás, e prestação de serviços para empresas da região.

O artesanato preserva saberes dos ancestrais indígenas, os quais são repassados às próximas gerações, e é uma atividade de caráter familiar que realiza todas as etapas da produção, desde a coleta da matéria-prima até o acabamento final e a comercialização das peças.

Assim observou-se a importância da venda do artesanato que, além fornecer uma fonte de renda, auxilia na preservação da cultura indígena Kaingang.

Na comunidade Kaingang Foxá, localizada no bairro Jardim do Cedro, próximo à ERS-130 km 67,5, no município de Lajeado/RS, observa-se a importância do artesanato produzido por ser um complemento na renda.

Atualmente, a comunidade Kaingang Foxá é liderada pelo Cacique Gregório
Antunes da Silva, também conhecido como Azulão, que orienta 95 pessoas que vivem no local, entre adultos, idosos, crianças e adolescentes, divididas em 25 famílias.

Inseridas em programas estaduais, elas se beneficiam de infraestrutura
social básica, como água, luz e moradia, além de produzirem o artesanato, que é um complemento na de renda.

Na comunidade Foxá, existe uma escola para auxiliar na prática do artesanato, culinária típica, linguagem e costumes típicos da cultura indígena Kaingang.

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Entre as dificuldades da comunidade está vender e distribuir seu artesanato na região.

Como o local não possui um depósito para armazenamento do artesanato, as mercadorias ficam expostas ao tempo e são suscetíveis à degradação, e com a chegada do outono e o inverno, o problema se agrava, porque, segundo o Cacique Gregório Antunes da Silva, a umidade faz com que a taquara, matéria prima dos cestos, balaios e peneiras mofe com maior facilidade.

Outra dificuldade é a falta de registro como artesão que impede emissão de nota fiscal avulsa e, consequentemente, dificultar a venda do artesanato para lojistas da região.

Com o deslocamento do acampamento às margens da ERS130, próximo da
estação rodoviária de Lajeado/RS, para a ERS 130 km 67,5, no bairro Jardim do Cedro, também na cidade de Lajeado, uma das condições do acordo era a
construção de um quiosque para o armazenamento e a venda do artesanato, mas, após dez anos, o acordo não foi executado e permanece em negociação com as entidades responsáveis.

Os Kaingang, da comunidade Foxá, valorizam o espaço adquirido, apesar da
precariedade, pois, mesmo estando em área urbana, o terreno é ao lado de uma pequena mata, permitindo usufruir desse território: as crianças interagem com a mata em suas brincadeiras, além de o local oferecer um pouco de matéria-prima para o artesanato, como algumas espécies: de cipó e taquara.

Artesanato Indígena Kaingang

O artesanato passou a ter maior importância para muitas famílias Kaingang, sendo considerado uma das principais atividades geradora de
renda na região Sul do Brasil.

Todo artesanato fabricado está intimamente ligado à vida indígena. O artesanato é uma atividade de caráter familiar em todas as etapas da
produção, desde a coleta da matéria-prima até o acabamento final e a comercialização, assim como antigamente eram ensinadas às crianças as diferentes formas de sobrevivência na floresta e matas que viviam, agora elas acompanham a família na coleta de matéria-prima, na produção e
na comercialização.

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Comercialização do artesanato Kaingang

A comunidade indígena Kaingang Foxá produz o artesanato de maneira sustentável, a coleta da matéria prima (cipós, taquaras e sementes) é realizada de modo manual e respeitando o ciclo de vida dos vegetais extraídos.

Portanto, é necessário evidenciar o artesanato indígena, como produto
sustentável biodegradável e natural, porque a matéria prima utilizada na produção do artesanato é renovável.

O artesanato é produzido de acordo com a solicitação “dos brancos, antes
os anéis eram mais procurados, agora é o filtro dos sonhos”.

A pequena mata em torno da terra indígena Kaingang Foxá fica próxima a
uma área urbana, e o desmatamento ocorrido nessa área afeta diretamente
a produção do artesanato indígena.

Há também uma precariedade da estrutura para armazenamento do artesanato, ponto de comercialização desvalorizado, falta de matéria-prima, perda dos significados do grafismo e das tramas porque os mais jovens reproduzem o artesanato, sem saber o que significa, portanto, a questão
simbólica e cultural dos Kaingang vem se perdendo com o passar do tempo.

O Artesanato Indígena em Porto Alegre

O artesanato dos povos indígenas é uma modalidade de discurso cultural. Através do artesanato, as redes de relações inter-pessoais são fortalecidas, reafirmando os modelos tradicionais de organização sócio-cultural indígena.

Através do circuito do artesanato os indígenas conectam florestas, campos, rios e cidade, contribuindo decisivamente para a diversidade cultural, étnica e ambiental de Porto Alegre.

Desde 2000, por intermédio do Decreto n° 12.874/2000, a Prefeitura destina uma Loja no Mercado do Bom Fim para a exposição e comercialização do artesanato indígena.

Feiras de Artesanato

Ainda no que se refere ao circuito do artesanato indígena, desde meados da década de 1980, a SMIC destina espaços fixos (bancas) aos Kaingang nas feiras da cidade: Feira da Praça da Alfândega, no Centro Histórico (segunda à sexta-feira); Feira Ecológica do Bom Fim (aos sábados); e Feira do Brique da Redenção (aos domingos).

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A partir de 2011, por meio do Decreto n° 17.581/2011 que “Reconhece, no âmbito do Município de Porto Alegre, as práticas do ‘poraró’ e as apresentações dos grupos musicais “mbyá-guarani” realizadas em espaços públicos como expressões legítimas da cultura indígena”, garante-se aos Mbyá-Guarani a livre comercialização de seus artesanatos nas feiras, ruas, parques, praças.

Garante-se, então, a diversidade entre os povos indígenas: os Kaingang preferem fixar-se nos espaços das feiras de artesanato; os Mbyá-Guarani optam pela livre circulação na cidade, preferencialmente no Centro Hitórico nos dias da semana e a Feira do Brique da Redenção aos domingos; e os Charrua escolheram a ocupação da loja no seu período de gestão.

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