Artesanato Indígena Guarani (Etnia Indígena das Américas)

Guarani é uma etnia indígena das Américas, sobretudo América do Sul, Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e parte do Brasil e o artesanato é confeccionado há séculos pelo povo Guarani.

Tradicionalmente, os objetos eram usados no dia-a-dia e em seus rituais. Nos dias de hoje, comercializam o artesanato como fonte de renda e também como forma de manter sua cultura viva.

Essa atividade envolve praticamente toda a família, que é responsável pela confecção de uma variedade de peças, como cestarias, instrumentos musicais, esculturas em madeira, utensílios de caça e adornos.

O processo de produção do artesanato envolve a coleta da matéria-prima na mata, sua preparação como corte, secagem e tingimento, até a confecção das peças.

Dependendo do tipo de artesanato, esse processo pode levar dias ou semanas.

Cestarias

De vários tipos e tamanhos, as peças são confeccionadas com esmero, precisão nos grafismos geométricos e delicadeza no corte milimétrico das tiras de bambu (miolo) e cipó.

São feitas peças como balaios, esteiras, peneiras, leques, entre outros. Os cestos tem vários tamanhos e funções.

Os grandes com tampa serviam para guardar suas vestimentas. Os grandes, sem tampa e com alça eram para trazer o milho da roça com a batata doce, o amendoim, e o aipim, além de guardar o milho debulhado para levar para o pilão.

O cesto baixo trazia o peixe ou caça menor. O balaio menor guardava sementes, colares, linhas, agulhas e cachimbo.

Estes são os mais importantes da cultura de uso, outros são para comercialização.

Significados das tranças

Tem vários tipos de tranças. Uma delas é a ipararyxy, que significa o caminho que os guarani fazem quando chegam em uma aldeia quando vão visitar ou mudam de aldeia, e ai tem pessoas que vão receber e ficam em fila um atrás do outro.

IPAKORA é o circulo das reuniões, das conversas, quando se conta histórias, toma chimarrão.

Sempre ficam em circulo.

Instrumentos Musicais

Os Guarani fazem com esmero instrumentos musicais, como chocalhos (Mbaraka) e pau- de- chuva (instrumento de percussão que imita a chuva).

Para o guarani, o Mbaraka é um instrumento sagrado.

Flauta

Flauta também é artesanato. A flauta, no caso, é feita pelos homens e a mulher ajuda na preparação para rapar a taquara a cortar nos pedacinhos certos.

A maior tarefa é do homem. A flauta antigamente era feita para as mulheres tocarem.

Um instrumento musical das mulheres quando era tempo de alegria, ano novo (arapiau), quando as moças se reúnem.

Tem os homens que tocam os instrumentos deles e as mulheres tocam para acompanhar também.

Quando as mulheres estão em festa, se reúnem para conversar, contar histórias e em tempo de frutos, quando as plantas vão bem.

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Origem da Flauta

A origem da flauta se deu nos primeiros momentos que antigamente
havia somente o sol e a lua para os indígenas.

O Sol e a lua que deu nome as matas, os rios, os frutos, aos pássaros e fez com que os povo Guarani surgisse também.

Eles usavam a flauta e o chocalho para comunicação e eles se dividiam nas tarefas quando eles vieram habitar a terra.

Eles ficaram na mata, onde não havia nomes dos frutos nem animais, eram todos iguais.

Ai, eles se dividiam, enquanto alguns iam para um lado da mata, outros iam para o outro lado dar nome aos frutos, pássaros e animais, e usavam a flauta e o chocalho como comunicação.

Eles tocavam para ver onde o outro estava ou para eles chamarem um ao outro, que era o momento para parar de trabalhar e ir para suas casas.

Essa é a origem da flauta e do chocalho, um instrumento de
comunicação antigo.

Hoje, usam para rituais, não para comunicação entre eles, mas a comunicação com Anderum, com Deus.

Chocalho

Feito de porongo, é um instrumento musical que também acompanha o violão.

O chocalho também é queimado com riscos ou desenhos de animais e até mesmo com sol, folhas, árvores.

Também se usa a pena de aves para decorar o chocalho. Dentro do
porongo, se coloca pedrinhas para ele dar o barulho que ele dá, pedrinhas pequenas.

Este é um instrumento do homem e a mulher ajuda a confeccionar.

Esculturas e Miniaturas em Madeira

Os Guarani também são capazes de esculpir madeiras, representando animais da Mata Atlântica.

Alguns fazem para terem em casa, mas a maioria faz para comercialização. Todos os tipos que se vê na mata é uma tarefa dominante dos homens.

Ele busca a madeira, corta e faz a escultura. A mulher, no caso, só entraria para vender.

Para fazer os bichinhos, primeiro se marca o formato do bichinho. Corta certinho o tamanho primeiro com o facão e determina se o objeto será deitado, de pé ou sentado e, depois disso, pega a faquinha e vai esculpindo até que fica bem o formato do bichinho.

Depois, deixa ele secar bem, quando já estiver estiver esculpido. Quem faz são as pessoas que tem mais prática, ensinando os menores a usar a faca e o ferro quente para queimar e pintar.

Tem que ter o acompanhamento de um adulto. Muitas vezes, o próprio adulto faz o inicial para o menor ir fazendo o restante.

Com uma peça que já está pronta, ele oberva e copia e vai aprendendo
com facilidade.

Se vende em muitos lugares nas apresentações do coral, escolas, não tem um lugar especifico.

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Utensílios para Caça

Não podemos esquecer dos utensílios para a caça. O mais comum, o arco e flecha, também é especialidade dos Guarani.

Eram feitos para caça e pesca. Como hoje não tem mais como pescar e caçar, são feitos para comercialização.

Colares

A função principal do colar é proteção para os índios contra espíritos mal da mata e do rio.

Os colares são feitos de vários tipos de semente, tanto de árvores e cipós, quanto de plantas mais rasteirinhas, vários tipos.

Algumas das principais sementes usadas são Aguaí e Yvau. Além da semente branca capiá.

Pulseiras de Miçangas

As miçangas foram trazidas as Américas por Cristóvão Colombo, e tornaram-se carga obrigatória nas navegações ao Novo Continente.

Os nativos americanos já produziam seus adornos com sementes, dentes de animais, conchas, cascos de tartarugas, coquinhos e ossos.

Encantados com a beleza das miçangas, os índios trocavam ouro pelas preciosidades exóticas vindas do Velho Mundo.

A pulseira da imagem acima é confeccionada por índias guaranis da comunidade de Sorocaba-Biguaçu.

Elas reúnem desenhos geométricos com cores vibrantes resultando num trabalho detalhado que mantem suas tradições e ao mesmo tempo remetem a algo contemporâneo muito expressivo.

Onde Comprar Artesanato Indígena Guarani

Objetos indígenas são fornecidos pela Índia Guarani Teresa, da comunidade de Sorocaba, no município de Biguaçu-SC.

Quanto Custa o Artesanato Indígena Guarani?

O preço do artesanato indígena guarani pode variar de acordo com o local de onde ele está sendo comprado, mas como se trata de um objeto de uma etnia específica indígena, sempre será um valor alto, pois se trata não apenas de uma arte manual, mas também de uma arte cultural e, por vezes, rara.

Para ter uma ideia do preço de algumas peças, usamos como referência o site Elo7, uma loja de artesãos.

No Elo7, podemos encontrar desde um brinco guarani no valor de R$ 90 até um cachimbo guarani no valor de R$ 225,00.

Com estes dois exemplos, já dá para perceber que será necessário desembolsar uma boa grana para adquirir um artefato guarani.

Curiosidades da Cultura Tupi-Guarani

  • O termo tupi-guarani é designado para definir uma das dez famílias linguísticas do tronco tupi.
  • O guarani é falado ainda nos dias de hoje pelos povos guarani, guarani-kaiowá, guarani-ñhandeva e guarani-m’byá.
  • Entre os povos tupi-guarani, o xamã é denominado pajé, a pessoa que lida com as conexões entre seres vivos, a natureza, humanos vivos e mortos.
  • Os índios da etnia guarani estão entre os primeiros que tiveram contato com os colonizadores. São divididos em três grupos: kaiowá, ñandeva e m’byá.
  • O nome guarani significa pessoa. Hoje, esse povo habita nove estados brasileiros, além da Argentina, Bolívia e Paraguai. Somente no Brasil há pelo menos 51 mil.
  • Embora sejam todos guarani, têm diferenças no modo de falar, no comportamento religioso e na organização social. Hoje, o maior grupo a viver no Brasil é o kaiowá, que significa “povo da floresta”.
  • Jenipapo, em tupi-guarani, significa “fruta que serve para pintar”. Os índios usavam o suco da fruta para pintar o corpo. A pintura permanecia vários dias e ainda protegia contra os insetos.
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Conclusão

O artesanato para o Povo Guarani tem muita importância, pois faz parte da sua cultura.

Desde os primeiros momentos, os Guarani tinham o artesanato como seus objetos de uso tanto pessoal como de uso comunitário.

E alguns destes artesanatos foram citados neste artigo. Para povo guarani, artesanato é a própria vida.

Taquara, brejaúba, cipó imbé: para os índios guarani, os itens que servem de matéria-prima para peças de artesanato são enviados pelos deuses e possibilitam que eles continuem sendo o que são de fato.

Para eles, transformar materiais em objetos, trabalhar a matéria-prima em outro sentido, é a própria vida.

Os objetos estão inseridos no universo da cultura do povo. Um cesto, que serve para guardar alimentos, tem uma função vital.

Não é mera mercadoria, porque é feito sob força vital. Penas de aves e sementes são símbolos da visão cosmogônica dos guarani.

Os povos indígenas vivem uma moralidade própria entre cultura e natureza.

Os povos Guarani (Mbya, Nhandeva e Kaiowa) somam cerca de 60 mil pessoas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, vivendo nos modos tradicionais.

ssim como os outros povos indígenas, os guarani têm abandonado espaços em que contam com estruturas “civilizadas” de moradia, saneamento, educação e saúde.

Tudo isso causa mal-estar, porque eles querem estar perto dos rios, que, eles alegam, é onde as divindades se sentem à vontade para acompanhá-los (as divindades são o sol, as tempestades, a neblina, o fogo, responsáveis por emitir a energia vital que acompanha os indivíduos por toda a vida).

A produção da humanidade guarani depende fundamentalmente de uma vivência religiosa da palavra.

Por isso, diferentemente de outras etnias indígenas, eles não perderam sua língua.

A língua se confunde com a alma, as crianças não querem falar a língua dos brancos.

Os guaranis desenvolveram a capacidade de viver ao lado dos brancos sem se misturar a eles.

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