Artesanato Indígena Xavante – Pintura Corporal, Artesanato Tradicional e Artesanato da Mulher Xavante

Apesar das profundas transformações que os Xavante têm sofrido, a arte corporal é um dos aspectos culturais que não perderam o lugar neste novo momento de sua história, confirmando sua importância enquanto elemento constitutivo de reprodução da sociedade.

Os Xavante são um povo de língua Jê localizado no Planalto Central do Brasil, Estado de Mato Grosso.

Com mais de quarenta anos de contato, esses indígenas, distribuídos em várias aldeias e reservas, realizam rituais tradicionais que se destacam pela participação de grupos em que se divide a sociedade Xavante.

Entre os Xavante, o uso de enfeites corporais obedece a regras precisas de um sistema de significação.

Na ornamentação corporal Xavante há sinais diacríticos que distinguem grupos e marcam categorias e status sociais.

No colar tsõrebdzu (“a gravatinha”) – peça básica da ornamentação corporal Xavante – prende-se pena de gavião, de rabo de papagaio, do pássaro chamado sirudu, do beija-flor vermelho, do mutum ou da arara-azul, de acordo com a função ritual ou mágica que seu usuário tem o dever e o privilégio de exercer.

A pintura corporal Xavante marca, antes de mais nada, a participação do indivíduo em rituais e cerimônias, separando o cotidiano e a esfera doméstica da vida pública e cerimonial.

A pintura corporal Xavante utiliza, além do vermelho e do preto, o branco e a mistura das cores, cinza e preto com vermelho.

Com um repertório finito de formas e cores, os Xavante combinam elementos da pintura e enfeites, produzindo mensagens por meio de um código visual estruturado.

Motivos da Pintura Corporal Xavante

Por meio da pintura do corpo, os Xavante também representam espíritos como o Pi’ú, do ritual wai’á, a onça, o jaburu e o lobo, do ritual de iniciação das mulheres.

VEJA  Artesanato Indígena e Cestaria

A divisão do corpo por meio da pintura é feita de acordo com a concepção anatômica que os Xavante têm do corpo humano: partes externas – coxas, pernas, braços, tronco, ombro e cabeça – e órgãos internos – representados pelo retângulo vermelho duplo, cuja designação significa “tripas vermelhas”.

Os motivos de pintura que não obedecem aos limites dessa divisão não ressaltam a anatomia humana, segundo a concepção Xavante.

O Artesanato Tradicional Xavante na Aldeia Sangradouro – MT

Curta-metragem de 5 minutos mostra o artesanato tradicional xavante na Aldeia Sangradouro – MT.

Nas entrevistas, sobressai a tensão entre a cultura tradicional (na afirmação da sua importância através dos anciãos da aldeia) e o abandono dessas práticas pelos jovens que já não se interessam mais em levar adiante suas tradições.

No geral, os Xavante produzem artesanato com o buriti, algodão, madeira e algumas sementes.

Muitas vezes, as confecções de peças são feitas exclusivamente pelos homens, que obedecem a um ritual de caça, coleta, separação, tingimento, corte, amarração, etc, da matéria prima, afim de dar uma forma específica a ela.

O Artesanato da Mulher Xavante

Entrelaçando as folhas da palmeira do buriti, mãos femininas fazem surgir cestos que guardam, transportam bebês, objetos, alimentos e valores.

O cesto é arte e arte é a vida vivida para os xavantes. Um cesto é bonito se for útil, se for útil é bom.

Elas não confeccionam objetos para serem apenas contemplados, é para uso diário.

As mais jovens aprendem a fazer com as mães, que seguem o modelo usado pelos antepassados; só assim será considerado bonito, pois foi feito por alguém que sabe o que faz.

Do buriti elas aproveitam tudo. Com a palha, fazem esteiras de dormir, tapetes, portas, paredes; o trançado possibilita filtrar e controlar a luz natural, sua flexibilidade permite abrir por dentro e por fora.

VEJA  Artesanato Indígena Kaingang e Guarani (A Cultural Material dos Kaingang e Guarani)

Fazem as vestimentas e os colares que os jovens usam no ritual de passagem para a vida adulta.

Colhem e debulham o urucum, transformando-o em pasta para as pinturas rituais; colhem e fiam o algodão com o qual fazem os próprios vestidos ou, para os homens, confeccionam as gravatas, um dos símbolos de sua identidade.

Além de cozinharem, cuidarem da roça, trabalharem com o artesanato, são elas que exercem maior influência nas decisões de dentro da casa.

Os Xavante são um dos principais grupos indígenas que utilizam as penas e plumas de aves para fazer flechas, cocares, entre outros… mas não produzem cerâmica.

Ofayé Xavante

Donos de um território que ia do rio Sucuriú até as nascentes dos rios Vacarias e Ivinhema, com mais de cinco mil índios, a nação Ofaié Xavante se resume hoje a 50 pessoas, em uma reserva no município de Brasilândia.

Compartilhe Esta Página:

Artigos relacionados

Digite acima o seu termo de pesquisa e prima Enter para pesquisar. Prima ESC para cancelar.

Voltar ao topo