O Artesanato Indígena das 5 Regiões Brasileiras

O artesanato indígena da região norte é um dos mais populares artesanatos indígenas brasileiros, porém todas as regiões brasileiras possuem seu artesanato típico e expressão cultural, incluindo o artesanato indígena.

O artesanato indígena do norte do Brasil é um dos mais ricos em técnicas, mas também temos o artesanato indígena do nordeste, do centro-oeste, do sudeste e do sul.

Se você quer saber o artesanato indígena da região norte, clique aqui, mas se quer saber sobre o artesanato indígena das outras regiões do Brasil, continue neste artigo.

Artesanato Indígena da Região Nordeste

A região nordeste do Brasil recebe muito apoio ao artesanato indígena e lá os índios podem vender seus artesanatos em lojas.

Índios de vários Municípios do Estado do Ceará, por exemplo, levam suas peças artesanais para a loja da Ceart, em Fortaleza, que fica localizada na Av. Santos Dumont, 1589 – Aldeota, e fica aberta até as 21 horas para visitação.

A natureza é celebrada pelos índios com artesanato e, o artesanato popular indígena pode ser encontrado muito antes das aldeias de cada etnia.

Em parceria com a Central do Artesanato (Ceart), a Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) apoia a produção artesanal étnica, que pode ser conferida em Fortaleza na Loja de Artes Indígenas Toré Torém.

Pelo menos seis etnias indígenas estão levando suas peças artesanais para a loja em Fortaleza, proporcionando a apreciação dos não-índios e gerando trabalho e renda para os povos indígenas: Tapeba (Município de Caucaia), Pitaguary (Municípios de Itarema e Acaraú), Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Kanindé (Aratuba) e Tabajara (Poranga).

A arte Tapeba é uma das mais procuradas. A Loja de Artes Indígenas Toré Torém é mantida pelo Instituto de Responsabilidade Social, da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), com apoio da Central de Artesanato do Governo do Estado.

É aberta de segunda a sábado, convergindo as peças artísticas e artesanais das etnias, evitando a exploração econômica por atravessadores.

Em cada produto, há uma etiqueta com o nome da etnia e do artesão que fez.

O artesanato se soma às outras manifestações artísticas e culturais dos índios.

Em pelo menos 13 principais etnias espalhadas pelo interior, os índios dialogam arte e cultura com o senso de preservação ambiental.

O artesanato é uma forma de chegar a outros lugares e dizerem “sim, nós existimos”.

Na cestaria do Norte e Nordeste, os materiais mais usados são: palha, cipó, tucum, taboca, buriti, carnaúba, vime e taboa.

A tradição barrista dos índios, juntamente com incorporação das experiências trazidas pelos europeus e africanos, muito contribuiu para o desenvolvimento do artesanato do barro.

As tribos indígenas do Maranhão, em particular, elaboram objetos com palhas de plantas, madeiras e penas de pássaros.

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No município de Itarema, no litoral, onde a população local é remanescente dos índios Tremembé, como uma das poucas regiões nordestinas que não vivenciou o impacto do turismo, pode-se apreciar a fabricação de redes de fibras (em pequena escala), que é executada em teares verticais rudimentares.

Artesanato Indígena da Região Centro-Oeste

O artesanato da Região Centro-Oeste está diretamente ligado às influências indígenas e dos colonizadores da região.

Um destaque dessa região é a bio jóia, que, como o nome diz, os recursos naturais são inseridos nas peças criadas por artesãos.

Desde sementes, galhos, fibras e, por último, as folhas do cerrado são transformadas em acessórios que são a cara do Brasil.

Outra manifestação bem forte na região é a cerâmica confeccionada pelos índios Kadiwéu, conhecida internacionalmente como Cerâmica Kadiwéu.

Produzem objetos utilitários e decorativos: potes, panelas, jarros, moringas, placas e animais.

Nos utensílios usados para cozer alimentos, não é prática aplicar decoração. Enfim, no centro-oeste, o artesanato indígena está mais presente através dos objetos utilitários, decorativos e de adorno criados por indígenas e brancos.

Em Cuiabá, capital do Mato Grosso, temos o Museu do Artesanato, inaugurado em 1910, que sediou o Grupo Escolar Senador Azeredo e funcionou como instituição de ensino até 1975, quando passou a abrigar a Casa do Artesão.

Em 1982, foi transformado em museu, com a aquisição de peças de cerâmica, trançado, madeira e couro, provenientes das comunidade ribeirinhas e interioranas.

São mais de 400 peças, como artefatos indígenas, vasos, redes, altares, fornos de barro, que compõem um acervo representativo das manifestações artesanais regionais, festas religiosas e danças.

Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, temos a Barroarte, espaço destinado a artesãos e artistas plásticos que representam a expressiva cultura pantaneira.

Localizada numa casa de estilo colonial, a Barroarte coloca à venda artesanato regional, quadros, peças indígenas, doces caseiros e acessórios utilitários e decorativos.

A Associação dos Artesãos do Estado de Goiás, fundada em 1987, tem como objetivo expor, divulgar e comercializar os trabalhos de 317 artistas, muitos deles habitantes de várias aldeias indígenas.

Tribos importantes de Goiás, como Karajás, Tapirapés, Xeretes, Kraiôs, Apinagés, Kaiapós, Kamayurás, Kalapalos, Jurunas, Bororós, Xavantes, Yalapitis e Caraíbas (homens brancos) têm liberdade de criar e tem espaço garantido para expor seus trabalhos.

No geral, as principais peças encontradas na região centro-oeste são as redes bordadas, cerâmicas, entalhes de madeira e arte plumária.

Mas o artesanato é bem diversificado, pois destacam-se as bolsas elaboradas com capim-dourado, a viola-de-cocho, entre outros.

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Dentre os indígenas da região Centro-Oeste do Brasil, há muitos homens que produzem arte em madeira e, este tipo de arte é uma forma de o homem participar na renda da família e pagar os estudos com a venda dos seus artesanatos, muito procurados na região por apresentar traços e pinturas exóticas típicas do seu povo.

Em alguns casos, esses artesanatos foram adaptados e aperfeiçoados para atender o gosto do cliente.

Por isso, o que antes era feito apenas com matéria-prima proveniente da natureza, agora recebe alguns retoques “artificiais”, como miçangas, linhas, fechos para brincos e pulseiras.

E tudo isso para que sua arte se ajuste ao mercado consumidor e continue sendo um meio de renda.

A inevitável convivência do índio com o mundo não indígena o fez adequar muitas coisas para a sua subsistência, sendo umas delas a sua arte.

Artesanato Indígena da Região Sudeste

O artesanato da região sudeste carrega pluralidade de estilos e origens: cultura africana, indígena, europeia e até asiática – o que diversifica e traduz a miscigenação da cultura brasileira.

Em São Paulo, o artesanato é produzido, basicamente, com materiais vindos da floresta tropical e misturando técnicas vindas da Europa, continente que possui mais influência na cultura de São Paulo, com as de índios e negros.

É possível encontrar a cerâmica rústica, trançados de fibras naturais com entalhe de madeira, dentre outros objetos.

Outras ilustrações da influência indígena no artesanato brasileiro são o trançado em bambu do município de Januária de Minas Gerais, região Sudeste brasileira e localizada na região conhecida como médio São Francisco.

As manifestações culturais são muito diversificadas, com grandes influências dos povos indígenas, africanos, europeus e asiáticos.

Artesanato Indígena da Região Sul

Esculturas e peças de artesanato, além de armas e instrumentos trabalhados em pedras, compõem o acervo de artesanato indígena que pode ser conferido na região sul do Brasil.

No entanto, inexplicavelmente pouco apreciados, os trabalhos dos nosso índios ainda não têm o devido uso nos ambientes, apesar da identificação com a arte contemporânea e evidente valor decorativo.

As cuias de beber chimarrão de influência indígena são muito comuns. O artesanato indígena na região sul é mantido por alguns povos, como os Kaingang Foxá.

Aliás, o sustento deles vem, em parte, da venda de seus artesanatos, que também mantém a cultura do povo.

O artesanato preserva saberes dos ancestrais indígenas, os quais são repassados às próximas gerações, e é uma atividade de caráter familiar que realiza todas as etapas da produção, desde a coleta da matéria-prima até o acabamento final e a comercialização das peças.

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Na comunidade Foxá, existe uma escola para auxiliar na prática do artesanato.

Dentre a matéria-prima utilizada, podemos citar algumas espécies de cipó e taquara.

O artesanato passou a ter maior importância para muitas famílias Kaingang, sendo considerado uma das principais atividades geradora de
renda na região Sul do Brasil.

Todo artesanato fabricado está intimamente ligado à vida indígena. O artesanato é uma atividade de caráter familiar em todas as etapas da
produção, desde a coleta da matéria-prima até o acabamento final e a comercialização, assim como antigamente eram ensinadas às crianças as diferentes formas de sobrevivência na floresta e matas que viviam, agora elas acompanham a família na coleta de matéria-prima, na produção e
na comercialização.

A comunidade indígena Kaingang Foxá produz o artesanato de maneira sustentável, a coleta da matéria prima (cipós, taquaras e sementes) é realizada de modo manual e respeitando o ciclo de vida dos vegetais extraídos.

Portanto, é necessário evidenciar o artesanato indígena, como produto
sustentável biodegradável e natural, porque a matéria prima utilizada na produção do artesanato é renovável.

O artesanato é produzido de acordo com a solicitação “dos brancos, antes
os anéis eram mais procurados, agora é o filtro dos sonhos”.

A pequena mata em torno da terra indígena Kaingang Foxá fica próxima a
uma área urbana, e o desmatamento ocorrido nessa área afeta diretamente
a produção do artesanato indígena.

Há também uma precariedade da estrutura para armazenamento do artesanato, ponto de comercialização desvalorizado, falta de matéria-prima, perda dos significados do grafismo e das tramas porque os mais jovens reproduzem o artesanato, sem saber o que significa, portanto, a questão
simbólica e cultural dos Kaingang vem se perdendo com o passar do tempo.

O artesanato indígena também está em Porto Alegre. La, o artesanato dos povos indígenas é uma modalidade de discurso cultural.

Através do artesanato, as redes de relações inter-pessoais são fortalecidas, reafirmando os modelos tradicionais de organização sócio-cultural indígena.

Através do circuito do artesanato os indígenas conectam florestas, campos, rios e cidade, contribuindo decisivamente para a diversidade cultural, étnica e ambiental de Porto Alegre.

Desde 2000, por intermédio do Decreto n° 12.874/2000, a Prefeitura destina uma Loja no Mercado do Bom Fim para a exposição e comercialização do artesanato indígena.

Em Porto Alegre, você poderá encontrar feiras de artesanato indígena, pois, desde meados da década de 1980, a SMIC destina espaços fixos (bancas) aos Kaingang nas feiras da cidade: Feira da Praça da Alfândega, no Centro Histórico (segunda à sexta-feira); Feira Ecológica do Bom Fim (aos sábados); e Feira do Brique da Redenção (aos domingos).

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